Ex-São Paulo procura ajuda de capitães de outros times pra paralisar o Brasileirão

A situação das chuvas e enchentes no Rio Grande do Sul é de extrema gravidade. Milhares de pessoas perderam suas casas enquanto muitas outras estão desaparecidas ou foram mortas pela catástrofe. O esporte, em especial o futebol, também sofreu consequências duras, já que as equipes do estado como Grêmio, Inter de Juventude sequer conseguem treinar.

Em meio a tudo isso, a CBF (Confederação Brasileira de Futebol) descartou a paralisação do Campeonato Brasileiro, e optou apenas pela suspensão e adiamento das partidas dos times gaúchos no torneio até 27 de maio. 

A decisão não agradou os clubes da região, que se mostraram a favor da paralisação completa. Outro que se solidarizou pelo RS foi o meia Nenê, ex-São Paulo. Ele entrou em contato com os outros 19 capitães dos clubes da Série A para unir forças em razão da causa geral do Brasileirão. Ele divulgou mais sobre a iniciativa em entrevista à TNT Sports.

“Eu fiz um texto no grupo nosso de capitães de todos os clubes do Brasileirão. Antes de o campeonato começar, tivemos uma reunião com a CBF. Dei esse start para ver se a gente pode. Acho que a nossa força é muito grande. Se a gente se unir, com certeza podemos fazer algo que fará a diferença na vida dessas famílias. Estou tentando ver se a gente consegue, entre todos, ter esse mesmo caminho e vontade para fazer isso daí”, iniciou, antes de prosseguir apelando pela paralisação por parte da CBF.

“Gostaria de ter esse momento para fazer um apelo: juntar os clubes e tentar parar. A vida vai além do futebol. Não estou com clima nenhum para jogar e nem para trabalhar. A gente vai para o treino e, por mais que a gente tente ajudar, se sente impotente. Nunca passei por isso. Gostaria de ter esse momento para ver se a gente pode paralisar. A CBF acatou uma parte do pedido para paralisar só nossos jogos, mas isso deveria ser, pelo que está acontecendo, expandido. O ideal seria a paralisação do campeonato”, complementou.

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Nenê fortificou sua posição contrária ao adiamento dos jogos somente dos clubes do Rio de Grande do Sul. Isso porque os familiares dos jogadores ainda estariam passando apuros em suas casas. 

São Paulo, Palmeiras e Flamengo emitiram uma nota em conjunto anunciando a liberação de seus Centros de Treinamento à disposição de Internacional, Grêmio e Juventude. Além disso, indicaram  possibilidade dos três times mandarem suas partidas no Morumbis, Maracanã e Allianz Parque.

“Não tem como. Houve essa coisa de levar o jogo fora daqui, mas como vamos deixar as famílias em uma situação dessa? Tem gente que não consegue sair daqui, se alimentar… não preciso nem falar o tanto de pessoas que sofreram e estão sofrendo. Está cada dia pior. Por mais que a chuva tenha parado, o nível da água está muito alto, a destruição foi muito grande. Deveria ter uma consciência de todos. Acho que não deveria ter a paralisação só no Rio Grande do Sul, mas o Brasileirão deveria ser paralisado. Uma vida vale mais que um gol. Jogadores e funcionários do Inter e do Grêmio têm famílias que estão desabrigadas, sem comida e sem água”, prosseguiu.